domingo, 22 de maio de 2011

O olhar de quem está dentro!!!

Tomando-se como imperativo a necessidade da Gabi em permanecer hospitalizada em Unidades de Terapia, fui impelido a me aprofundar no que se refere aos cuidados que posso e que devo ter, em uma conotação “humanizada”. Humanizar sua internação era algo que eu deveria provocar, como marido e psicólogo!!! E aproveitando-me da óbvia redução da capacidade de executar exercícios aeróbicos e da diminuição à tolerância aos esforços em que a Gabi se mantinha, visualizei uma oportunidade, já que essa condição afeta todos os sistemas de seu corpo. Esta posição também é comumente chamada de Síndrome do Imobilismo, onde o paciente torna-se descondicionado. Solicitei o auxílio do fisioterapeuta Alceu.
Este, atenciosamente, propôs a execução de ações em sua área de atuação, evidenciando a prudência com a forma correta na manipulação das articulações.
Sim, meus amigos, foi dada a largada!!! A sessão de fisioterapia não se limitaria mais a apenas uma por dia!!! A intenção não era substituir o profissional, mas prolongar sua atuação. Em contrapartida, expus a forma como me comunico com a Gabi: a entonação, o carinho e como apresento o que acontece no ambiente, levando em consideração que não temos a certeza se ela está enxergando quando abre os olhos. Essa explanação foi realizada para o máximo de espectro alcançável a que me foi possível. Apesar da maior parte dos profissionais ter esse tirocínio.
Segundo Caetano (2007), um paciente possui cinco necessidades durante sua internação. Dentre elas, destaco o compromisso profissional e o conforto emocional.
Na primeira, o autor esclarece que a assistência humanizada deve ser um compromisso.
O conforto emocional, tem estreita ligação com compromisso profissional, na medida em que os fatores estressantes presentes podem provocar reações psicológicas indesejáveis e podem até anular os efeitos benéficos do tratamento intensivo.
            Quase a totalidade dos procedimentos da UTI são inevitáveis. Muitos são invasivos. A observância da literatura supracitada minimiza, certamente, uma infinidade de desconfortos.
Uma situação de conflito a que me deparei foi a questão “estar entubada” versus “estar traqueostomizada”. Claro que a traqueostomia, pelo menos para mim, representava uma evolução clínica. A produção de secreção demandava aspiração endotraqueal. Tive certas dúvidas, como por exemplo: se a tosse aumentaria a pressão intracraniana (PIC) ou se, em contrapartida, a estimulação endotraqueal pela aspiração aumentaria a PIC e incidiria em maior ameaça de contaminação por bactérias.
            Ersson (1990) afirma que a eficiência do método de aspiração está estreitamente relacionada com a tosse. Já Brown (1992) enfatiza que a aspiração endotraqueal não pode passar de dez segundos. De qualquer forma, Nemer e Cols (2004) esclarece que esse método é inevitável, porém deve ser realizado de forma cautelosa. Por haver uma necessidade constante desse tipo de intervenção, nesse setor específico, não me preocupei. Entendo que o cuidador deve possuir um saber técnico e isso não é hermenêutica.
            Parafraseando minha amiga Eliane (UDESC): “Aí está um perfeito efeito Tostines!!!”
            Uma outra situação que me pareceu interessante e proficiente surgiu da iniciativa do enfermeiro Sérgio, quando propôs que levantássemos o encosto da maca. Lembrei da diferença entre caminhar (em pé, claro) e andar de cadeira de rodas. Aproveitamos um momento em que a gabi estava acordada. Imaginei que depois de ficar tantos dias deitada, sentar provocaria estímulos positivos. Interpretei o resultado como de caráter promissor, já que ela apresentou poucas respostas e de ser um passo da minha proposta de ortostatismo.
            Com essas experiências e outras, somam-se cerca de três semanas no Celso Ramos. Foram momentos muito intensos. Angústia reverberada por esperança. Boletins onde os médicos eram aguardados com ansiedade. A luta da Gabi. Sua vitória. Nossos amigos e familiares preocupados. Os telefonemas diários que recebi. Já não conseguia discernir entre quem era familiar ou amigo. Nos entrelaçamos quase que em uma união sanguínea. Destaque especial para Elias e Isabel, que me deram calço, nas várias vezes em que chorei, preocupando-se, incansavelmente, em falar comigo exatamente todos os dias.
             E com relação à equipe do hospital, destaco como diferencial, nos meus valores, a destreza profissional, habilidades técnico-humanizadas, o lidar com a família, segurança do que faz, atenção, e outros.
Caso algum de vocês precise ir ao Hospital Celso Ramos, até a data de hoje, eu recomendo, sinceramente, toda a equipe da UTI como eficiente no lidar com o paciente. E recomendo parte da equipe da UTI como sensível no lidar com a família do paciente. Recomendo o Oswaldo (assessor da direção) como um profissional competente e humano. Recomendo o fisioterapeuta Alceu como extremamente qualificado e atencioso. Recomendo a Sra Elza como habilidosa no lidar com familiares, visitantes e servidores, além de merecer todos os elogios por ser a pessoa que se apresenta. Não poderia deixar de mencionar a Ana (UTI), como destaque especial, pela atenção, carinho e cuidado conosco e com a gabi. Recomendo a psicóloga Zilma, com profundo conhecimento das práticas de intervenção psicológica e das demandas institucionais. Recomendo os profissionais médicos intensivistas e neurologistas da UTI, onde tivemos maior contato com Maria Elisa, Maria Cecília, Rafael, Paulo, Tales, Célia. Recomendo a Leila e sua equipe do Laboratório pelo estímulo a Gabi e interesse pela evolução clínica. Por fim, recomendo os profissionais da UTI que sustentaram a posição de autorizar minha permanência ao lado da gabi; na qualidade de marido por certas horas, e por outras como profissional da área da saúde com o compromisso de fazer estimulação.
De minha parte tenho uma convicção. Caso algum de vocês me pergunte, algum dia, o que tenho a dizer de tudo isso, eu responderia: "Putaquiupariu!!!"

André Nascimento Salomão- Psicólogo
CRP- 2788-12

6 comentários:

  1. André, você está infelizmente no olho do furacão. Porém, esta pessoa é com quem escolheu passar sua vida. isto quer dizer, sofrer junto. Se estivesse longe, sofreria muito mais.
    Será que dá pra avaliar sofrimento? Cada um e suas especificidades. Também não temos como sofrer pelo outro... como a vida é complexa...
    O que nos amenisa a dor é o contato humano e o mesmo nos provoca a dor. Também é a dor que nos transforma, nos remete ao íntimo e nos faz eleger o que é prioridade.
    Os amigos servem pra nos fortalecer, quando podem se colocar junto com a gente na nossa dor...
    Não nos conhecemos muito, mas quero dizer que entendo a sua dor e quero fortalecer suas expecatativas... Estou torcendo muito pela reversão do quadro e o alívio da sua dor, assim como de toda a familia.
    Gostei muito da sua postagem, muito séria, perspicaz e consciente... mais um dia... mais um dia... maaaais um diiiiaaaa!!!

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  2. ....Longe... mas, perto do coração!!!
    Força e muita luz...
    Beijo carinhoso

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  3. Gabi e Deco To aqui torcendo como sempre por vocês. Continuo no meu dia-a-dia dedicando alguns momentos de pensamento positivo voltado à Gabi e torcendo para que ela volte logo.

    abração e melhoras pra Gabi.
    mineiro

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  4. André, você demonstrou maturidade e lucidez incríveis!! Parabéns!! Tudo está sendo feito para a Gabi, tanto por parte dos médicos e outros profissionais do hospital, quanto pela família. Percebo que você está dando o melhor de si! Confie de que o melhor vai acontecer! Acredito que na vida tudo acontece por uma razão, que muitas vezes não sabemos qual é, mas sempre acontece o que é melhor para nós. Não sei porque isso ocorreu com a Gabi, mas um dia vocês vão saber! Acredito muito nas Leis Divinas e sei que Deus não está aí para nos punir, mas para nos ensinar! Você, a Gabi e todos nós já estamos aprendendo muito. Continue confiando de que o melhor sempre acontece! Não desanime e agradeça a Deus por tudo o que vem acontecendo, as melhoras da Gabi, a passos lentos eu sei, mas não deixam de ser melhoras. Continuamos torcendo por vocês!! Grande beijo!
    Léa

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  5. OBRIGADO A TODOS PELAS MSGS DE CARINHO...NÃO TEM SIDO FÁCIL!!!
    ANDRÉ

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  6. Dedeco
    Estamos juntos nessa batalha...
    Conta comigo meu irmãooooooo
    Força que a Gabi vai vencer...
    Abraço forte
    Marcus

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